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A História do Dodginho (Polara)


Erick von Seehausen
Sócio gerente
erick@autoserra.com.br
AutoSerra
www.autoserra.com.br

A História do Dodginho (Polara)

A História do Dodginho (Polara)No Salão do Automóvel de 1972 junto com os grandes Dodge Dart e Charger, aparecia o pequeno Dodginho 1800 que agradou muito. Pesava 930 quilos, tinha carroceria com duas portas como o brasileiro gostava na década de 70, media 4,125 metros e tinha 2,49 metros de entre-eixos. Só no mês de abril de 1973 foi para as ruas e era destaque nas concessionárias. Num ano de grandes e numerosos lançamentos, chegava antes do Chevette da GM, da Brasília da VW e do Ford Maverick. A Chrysler tinha pressa, mas essa não lhe trouxe bons resultados iniciais.

As versões eram L e GL e um dos itens de série eram os pneus radiais na medida 165 SR13 e foi um dos primeiros automóveis nacionais com painel acolchoado. Além disso, retrovisor interno colado ao pára-brisas, maçanetas internas e externas eram embutidas contribuindo para menos riscos aos ocupantes. E era confortável para cinco passageiros de porte médio. A tampa do porta-malas tinha boa abertura, boa capacidade para as malas e abrigava o pneu estepe abaixo do assoalho. Outra crítica, mas o brasileiro ainda não estava acostumado a grandes diferenças. Como se trocar pneu fosse manutenção semanal, mas... A traseira era um pouco mais alta que a frente. Era proposital, pois quando se colocava carga, o carro ficava nivelado. O teto de vínil e o protetor de cartér eram opcionais, sendo que este último, desconhecido em países civilizados, começava a ficar muito útil por aqui.


O motor do nosso Dodge também era dianteiro, refrigerado á água, com quatro cilindros em linha, tinha 1.799 cm³ de cilindrada e potência de 85 cavalos à 5.000 rpm.

O carro andava bem e na frente do Chevette, do Corcel, da Brasília ou TL e fazia de 0 a 100 km/h em 16 segundos, e chegando aos 147 km/h de velocidade final.

Adequado para época e melhor que a concorrência, o ronco do motor era muito agradável também, mas o consumo era alto.


Em 1975 a empresa começava a recuperar o carro com mudanças positivas. Era preciso melhorar a imagem deste produto. O controle de qualidade na linha de montagem da carroceria foi revista. O motor recebeu novo carburador da marca Lucas e melhorou o desempenho, o consumo e a regulagem. Parou de falhar, a potência subia para 82 cavalos e o torque para 14,5 mkg.f. Foram reexaminados a caixa de marchas, transmissão, diferencial e embreagem.

Era lançada e versão especial SE(Special Edition) esportiva. Os tons amarelos, verdes, brancos e vermelhos estavam na ordem do dia assim como faixas pretas. Por dentro bancos com desenho xadrez de gosto discutível, que seguia a cor externa e volante de três raios com desenho esportivo.




No Salão do Automóvel em São Paulo era apresentada a perua de cinco portas, idêntica à Hillman Avenger Estate inglesa. Já havia sido mostrada em algumas revistas um pouco camuflada, mas no salão podia ser admirada. Foi bem vista pelo público, seria uma ótima opção diante da Belina e da Variant de duas portas.

Em 1976 era adotado o nome Polara. Este nome desde a década de 60 era aplicado à grandes sedãs da marca Dodge fora do país. Por dentro novo volante, novos tecidos, etc. Por fora era praticamente o mesmo, a traseira um pouco mais baixa, mas debaixo do capô ganhava carburador Hitachi de origem japonesa e a potência passava para 93 cavalos brutos e o torque máximo para 15,5 m.kgf. Estava mais rápido e ágil para enfrentar o VW Passat que se tornara um grande rival.

Chegava o ano de 1978 com nova frente bem mais moderna. Os faróis retangulares estavam em vários carros europeus modernos e também no Polara nacional junto luzes direcionais na cor âmbar. Ganhava também novos frisos laterais, pára-choques maiores e novas lanternas traseiras. Por dentro bancos reclináveis com melhores ajustes e novos tecidos mais confortáveis nos bancos e forrações. Podia vir equipado também com vidros verdes e o catálogo trazia novas cores externas.

Em 1979, era o primeiro nacional, à exceção dos modelos grandes, a oferecer câmbio automático de quatro marchas. Clientes mais exigentes gostaram muito e hoje este modelo é mais raro ainda que os outros.

Neste mesmo ano a Volkswagen brasileira adquiria o controle acionário da Chrysler do Brasil. No mundo inteiro Lee Iacocca, o mandatário da Chrysler dos Estados Unidos, queria se desfazer das unidades sem grandes lucros para salvar a marca no país americano.

Em 1980 o Polara ganharia a versão GLS com decoração externa e interna mais atraente. Por dentro novo painel, idêntico ao Talbot francês com conta-giros, manômetro de óleo e o utilíssimo voltímetro entre outros mostradores. Todos da famosa marca Veglia francesa. Eram seis no total. Novos bancos com apoio de cabeça também faziam parte das novidades. Outro ponto de segurança era o pára-brisas laminado que se juntava a coluna de direção retrátil instalada em 1976.

O motor tinha novo carburador na posição vertical de corpo duplo e a taxa de compressão mais alta passava para 8:1. A potência subia para 90 cavalos e o torque a 15,0 m.kgf. A aceleração de 0 a 100 km/h era feita em menos de 15 segundos e a velocidade final estava em torno dos 160 km/h.

Em 1981, pouco antes da extinção da marca Dodge no Brasil, o pequeno e ótimo Dodge Polara saía de produção, com um total de 92.665 unidades produzidas.



Ref.: www.retroauto.com.br/dodge_1800_150.html

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